domingo, 6 de agosto de 2017

ANÁLISE DA VOZ (Maiara & Maraisa-Medo Bobo)

Preferi pegar um video ao vivo para analisar a voz das duas. Como não sei, e é impossível saber quem é quem, porque as duas são praticamente iguais, analisarei como primeira e segunda voz.

A beleza da voz da cantora que faz a primeira voz nessa música é inegável. Ela tem um timbre que soa como se fosse grave, mas a facilidade e a beleza do som grave de sua voz, mostra que sua extensão vocal é enorme e desconhecida para a cantora. Mas, quando ela entrar no refrão, sua voz é coberta pela belíssima voz da que faz a segunda voz, que surge como uma passarinho fazendo lindas melodias e linhas de canto que roubam toda a cena, e faz com que a cantora da primeira voz fique alunada.

A respiração da cantora da primeira está muito ruim, e mostra todo o seu cansaço físico através de seu som, que ficou cansado e opaco, sem brilho e sem harmônicos. Mas mesmo assim, a beleza do timbre da que a primeira voz é tão grandiosa, que mesmo com tudo isso, soa lindamente. O preparo físico para manter-se uma boa respiração, que é fundamental para um cantor de vida ativa, que consiga produzir bons sons e não perca texto quando estiver cantando.

O corpo precisa estar bem preparado fisicamente para produzir energia durante a produção da voz, principalmente quando se produz som vocal movimentando-se sobre o palco, pois o gasto e quantidade de energia utilizada durante esse processo, tende a ser enorme e desgastante para o mesmo. Ter uma boa respiração durante a voz cantada é fundamental para a beleza e saúde da voz. Uma boa respiração é sempre diafragmática, ou se é mais fácil de perceber, abdominal.

Percebo que a maioria desses novos cantores tem alguma consciência da respiração diafragmática. Pois a energia com a qual eles produzem som, mostra que o volume é característico de quem usa o apoio diafragmático. No entanto, a respiração diafragmática para a voz cantada tem dois momentos, o momento de tensão quando se está apoiando a produção da voz, e momento de relaxamento quando se está respirando ou descansando de um término de uma frase. Esse  relaxamento do músculo do diafragma ou da musculatura do abdomen, para poder se iniciar novamente  uma nova tensão para produção nova produção sonora.

Quando o cantor não consegue relaxar o diafragma e a musculatura do abdomen com perfeição, a contração da força feita para a produção da voz se acumula e vai aos poucos roubando o conforto durante a produção da voz cantada, até esganiçar o som, começando o processo de agressão às cordas vocais e logo o deixaram afônico, ou com algum grau de rouquidão. Além de deixar a região da laringe dolorida e irritada, começando assim, o desencadeamento de outros problemas vocais que dificultarão muito a produção da voz e funcionamento do aparelho vocal.

Uma forma de o cantor conseguir controlar bem o tensionamento e o relaxamento do diafragma para que consiga produzir bons e bonitos sons, é observar a região abdominal durante a produção da voz. Analisar com cuidado tudo que se sente nessa região durante a utilização da mesma, até que seu cérebro tenha controle de tudo o que acontece. Isso pareceu-me bem evidente na voz da cantora que faz a primeira voz. Sem falar, que quando ela vai para a região mais aguda, esganiça o som e perde toda a beleza de sua voz e o conforto de produção da mesma.

Exige-se muito da primeira voz, e dá-se muito pouco espaço para a segunda voz aparecer, o que parece ter se tornado mania no sertanejo, quando deveria se explorar muito mais dos cantores fazem a segunda voz, ou como é correto falar, de uma terça voz . No entanto, a voz da que faz a segunda voz consegue produzir uma linha de canto belíssima como terça, e camufla a perda da beleza sonora da voz da primeira. Esse problema tenho visto em quase todas as duplas e cantores solos do sertanejo. Essa cantora que a segunda voz tenha uma musicalidade e intuição musical excepcionais, que fazem com que consiga produzir linhas de canto, cantando como terça vocal, tão belas que não necessitam de volume.




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Nasci em Parintins no Amazonas. Vivi no meio da mata onde enfrentei todos os perigos que pessoas  da cidade nem imaginam que existe. Aprendi tarrafiar. Pescar piranha preta e vermelha. Vi meu cachorro ser despedaçado em três pedaços por um tamanduá bandeira de três metros de altura. Cacei veado vermelho e roxo. Tirei jacaré açú da malhadeira. Arranquei tatu do buraco. Arranquei mandioca grande da terra sem quebrar. Cacei cutia. Paca. Comi macaco prego. Onça. Quati. Porco espinho. Fiquei encurralada por um bando de queixada. Comi papagaio em tempo de fome. Peguei juruti na arapuca feita de pau. Tomei água de cipó d'água. Apanhei com pedaço de lenha do fogão de barro. Roubei ovo de inambú açú. Peguei mauari na malhadeira de mica. Mergulhão. Garça branca e morena. Andei sobre o matupá. Vi anhingal andar no rio. Fugi de caba tatu. Levei ferrada de caba de igreja. Fui mordida por piranha vermelha que levou um pedaço do meu dedo. Consegui fugir e me tornar uma das melhores professoras de canto do país. E outras coisas que só caboclo sabe...

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