sábado, 1 de abril de 2017

VOZ DE PEITO OU VOZ DE CABEÇA?

Nenhuma das duas existe. Isso é um conceito errôneo e falso. O que há de verdade, é ressonância de peito e ressonância de cabeça. Essa classificação que muito se ouve falar da voz, é fruto do fato de ela não vir de uma escola de canto, como é o caso do Bel'Canto, que permiti ao cantor experimentar toda a totalidade de sua voz através de regiões de ressonância, ósseas, cartilaginosas e cranianas, o que não classifica a voz como dali ou daqui, mas sim como um funcionamento perfeito do corpo, amplificando o som da voz através de caixas ressonadoras naturais do mesmo, e esse efeito é a  ressonância sonora da voz, o processo pelo qual o cantor faz sua voz soar até o ouvinte.

A ideia de que existe !voz de cabeça e voz de peito", faz com que tenhamos a impressão de que existe duas vozes, o que não é verdade. Aliás, um dos objetivos buscado no treinamento do corpo para o canto, e que também o Bel'Canto se propões a fazer e faz, é eliminar as quebras vocais (falhas que existem entre um registro e outro, ou entre as regiões de passagens  dos registros, ou também, nas regiões de passagens da região médio aguda da voz para a região aguda.), é uma pequena falha no som quase que imperceptível, mas que para nós do Bel"Canto, significa que o cantor não conhece sua personalidade vocal e também não tem noção nenhuma da sensação física de produção da sua voz.

Não perceber a sensação física de produção da voz significa desconhecer sua própria personalidade vocal, o que indica que a atual voz que está sendo produzida pelo cantor é falsa, e com certeza sua impostação vocal está errada, e que talvez o som vocal que esteja soando seja apenas uma imaginação sonora (uma referência de som e melodia que não coadunam com a personalidade vocal verdadeira do cantor), uma cópia de outra voz, de outro cantor ou cantora, e que está distante da realidade fisiológica do próprio corpo, e que por sua vez, impede que o cantor goze de uma produção vocal confortável e bela.

A ressonância de cabeça, erroneamente chamada e conhecida de "voz de cabeça", é quando o som vibra nos ressonadores superiores, ou seja, nas cavidades cranianas, pequenas conchas acústicas existentes nos ossos do crânio, e que são os melhores ressonadores, amplificadores naturais do corpo, e que fazem uma enorme diferença no som vocal quando usados. Mas, seu uso não é tão simples de se alcançar, pois para o som vocal vibrar neles, é necessário que o corpo esteja funcionando perfeitamente, e que sua postura seja perfeita, o que pode ser alcançado com a técnica Alexander, que é a que corrigirá todo e qualquer problema de postura, os piores inimigos de um belo som.

A ressonância de peito, vulgarmente conhecida como "voz de peito", é quando o som vocal é amplificado pelo osso do peito, principalmente o externo, o osso do meio do peito, que por sua vez, é a mais potente caixa de amplificação da voz, e a única que pode valorizar e amplificar notas tão graves, que permitem a ressonância e amplificação de harmônicos sonoros da voz, que facilitarão a produção de notas agudas, que a medida que o cantor alcançar notas cada vez mais graves, mais ele produzirá notas agudas com muita facilidade e sem sofrimento, porque esses harmônicos produzirão sensações físicas de ressonância no momento da produção vocal, que facilitarão a impostação de notas agudas nessa mesma região de ressonância, permitindo ao cantor explorar sem agredir seu aparelho, a totalidade de sua extensão vocal.

Essas duas regiões de ressonância devem ser unidas durante a produção da voz, ou seja, não deve haver quebra no som da voz, as famosas falhas, que acontecem quando o cantor não domina a técnica da impostação vocal, pois o domínio dela dá ao cantor a capacidade de sair de uma região de ressonância para outra, no caso aqui tratado, seio frontal e osso externo do peito, sem deixar a voz quebrar, sem deixar a voz falhar quando mudar de ressonador. Isso só é possível desenvolvendo-se a percepção por parte do lado analítico do cérebro, da sensação que acontece no corpo do cantor, quando ele mudar de região de ressonância, isso também é uma mudança na impostação da voz, técnica usada para se conseguir diferentes nuances no timbre e som da voz.

Todo bom cantor que se preze, vela por uma mudança de impostação sem quebra nenhuma na voz. Pois não só é feio esteticamente como também é indicação de que ele não possui técnica ou foi mal treinado. Pois quando o cantor consegue dominar e conhecer seu corpo, principalmente durante a produção da voz, obviamente conduzirá bem o funcionamento do seu corpo quando for movimentar-se para mudar a impostação da voz, ou seja, mudar sua região de ressonância, fazendo com que a voz passe de uma para outra sem mudar seu som ou característica no seu timbre. Mas, quando se consegue fazer e não fazer algo com o corpo para produzir a voz, tem-se técnica, e isso lhe dá poder para quebrar ou não a voz, nasalizar ou não a voz, isso é canto.

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Nasci em Parintins no Amazonas. Vivi no meio da mata onde enfrentei todos os perigos que pessoas  da cidade nem imaginam que existe. Aprendi tarrafiar. Pescar piranha preta e vermelha. Vi meu cachorro ser despedaçado em três pedaços por um tamanduá bandeira de três metros de altura. Cacei veado vermelho e roxo. Tirei jacaré açú da malhadeira. Arranquei tatu do buraco. Arranquei mandioca grande da terra sem quebrar. Cacei cutia. Paca. Comi macaco prego. Onça. Quati. Porco espinho. Fiquei encurralada por um bando de queixada. Comi papagaio em tempo de fome. Peguei juruti na arapuca feita de pau. Tomei água de cipó d'água. Apanhei com pedaço de lenha do fogão de barro. Roubei ovo de inambú açú. Peguei mauari na malhadeira de mica. Mergulhão. Garça branca e morena. Andei sobre o matupá. Vi anhingal andar no rio. Fugi de caba tatu. Levei ferrada de caba de igreja. Fui mordida por piranha vermelha que levou um pedaço do meu dedo. Consegui fugir e me tornar uma das melhores professoras de canto do país. E outras coisas que só caboclo sabe...

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