terça-feira, 21 de março de 2017

ANÁLISE DA VOZ - Maiara e Maraisa (Medo Bobo)


Quero deixar claro, que também adoro essa música. Mas sempre me incomodo quando ela inicia, pois parece que a cantora está com dor de dente, ou então, com algum tipo de cólica abdominal. Porque ela canta quase que rangendo o dente, deve ser para poder dá mais volume à sua voz, mas que não acontece, pois sua voz perde o brilho e volume no grave, que é exatamente a região que ela inicia a música, e onde percebe-se claramente que Maiara ou Maraisa, não abrem a boca para cantar, e ficam com aquela vocais e articulação de quem chupou limão e não gostou.

Isso é tão irritante, que chego a ter dor nos dentes também. Esse vício de cantar rangendo os dentes parece ter se tornado comum entre os cantores, principalmente os sertanejos, antes só os homens, agora até as mulheres estão pegando e praticando esse erro de impostação e dicção, que acaba anazalando muito o som e roubando seu volume. Quando se vai para o som grave, a primeira coisa que se deve fazer, é levantar-se um pouco a cabeça, até aquela altura do olhar no horizonte. É preciso também se produzir mais energia e aumentar-se o fluxo de ar que passa pelas cordas vocais, aumentando-se também o nível de energia no músculo do diafragma.

Quando se quer produzir um grave com beleza e sonoridade, características exigidas para se produzir um bom som grave, é necessário produzi-lo com muito mais ar com que um agudo. Então, quanto mais volume se quer dar ao sons graves, é necessário produzi-lo com muito mais ar, e quanto mais grave, mais energia e ar devem ser produzidos. Pois, precisa-se de muito mais ar para se produzir um agudo do que para se produzir um grave. Isso, é o oposto do que fazem os cantores, que têm a mania de produzir sons agudos com muito ar, o que acaba forçando a musculatura da laringe, e esganiçando o som, e quando produzem um som grave, tendem a produzi-lo com pouco ar, o que faz com que as cordas vocais não vibrem tanto quando o fluxo de ar passa por elas.

Apesar do timbre vocal, não sei se da Maiara ou da Maraisa, ser bonito, pelo vício de articular e diccionar com a boca quase que fechada, ela acaba esganiçando o som das notas agudas, e tanto sua extensão para o agudo fica prejudicada, como também, seu conforto vocal, pois vendo alguns shows ao vivo, percebi que ela fica rouca com facilidade. Isso também acontece porque elas usam muito drive para cantar, o que quando bem usado, fica até bonito, mas no caso delas, é quase que a todo momento, o torna-se cansativo para os ouvidos e muito desgastante para as cordas vocais, provocando principalmente rouquidão.

Sua articulação é muito lenta, o que quando é necessário produzir uma nota aguda com som de vogal, ela nunca consegue abrir a nota afinada, e tem sempre a necessidade produzir um glissando  ascendente para conseguir chegar na nota, e também debilita os próximos sons a serem produzidos, o que é provocado pela má articulação, que por fim, debilita a dicção. Outro erro vocal que provoca isso é hiper contração nas mandíbulas, pois dificulta e diminui a velocidade da articulação (tamanho da forma (boca) que se usa e é necessário para uma boa produção dos fonemas.).

Sua articulação na região aguda é muito ruim, o que faz com que não consiga repetir as mesmas notas agudas durante muito tempo, mais que agora é moda no sertanejo, cantar frase rápidas e com muitas palavras, o que dificulta a afinação e a produção do texto, de forma que é sempre necessário eles pararem de cantar no meio das frases longas, e deixarem somente o público cantar suas músicas.  É claro e nítido o cansaço vocal dessa dupla. Mas parece que isso está acontecendo com todos os cantores de sertanejos, que se exaurem tentando cantar rápido e agudo, o que necessita de uma exagerada articulação e rápida, para que tanto os fonemas quanto as notas, sejam produzidas com qualidade beleza sonora.

Outra coisa que está errada, é fato dela produzir vogais de sons abertos com sons fechados, o que dá a impressão de que ela está cantando com um ovo quente na boca, pois suas vogais ficam com o som abafado e opaco, e em alguns, completamente incompreensíveis. Mas isso também é produzido pela má articulação, e um pouco por impostação e dicção erradas, e acaba dificultando a compreensão das palavras do texto.


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Nasci em Parintins no Amazonas. Vivi no meio da mata onde enfrentei todos os perigos que pessoas  da cidade nem imaginam que existe. Aprendi tarrafiar. Pescar piranha preta e vermelha. Vi meu cachorro ser despedaçado em três pedaços por um tamanduá bandeira de três metros de altura. Cacei veado vermelho e roxo. Tirei jacaré açú da malhadeira. Arranquei tatu do buraco. Arranquei mandioca grande da terra sem quebrar. Cacei cutia. Paca. Comi macaco prego. Onça. Quati. Porco espinho. Fiquei encurralada por um bando de queixada. Comi papagaio em tempo de fome. Peguei juruti na arapuca feita de pau. Tomei água de cipó d'água. Apanhei com pedaço de lenha do fogão de barro. Roubei ovo de inambú açú. Peguei mauari na malhadeira de mica. Mergulhão. Garça branca e morena. Andei sobre o matupá. Vi anhingal andar no rio. Fugi de caba tatu. Levei ferrada de caba de igreja. Fui mordida por piranha vermelha que levou um pedaço do meu dedo. Consegui fugir e me tornar uma das melhores professoras de canto do país. E outras coisas que só caboclo sabe...

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