quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

ANÁLISE DA VOZ (DI FERREO DO NX ZERO - Vamos Seguir)



       Analisando a performance vocal do vocalista do NX ZERO Di Ferrero, uma coisa a gente percebe logo nas primeiras palavras da música, uma excessiva soprosidade vocal. Alguns cantores confundem suavidade vocal com soprosidade. Isso não é muito fácil de se perceber ou produzir tecnicamente, mas é extramente errado confundir as duas.

        A suavidade vocal é a diminuição do volume do som, isso dentro da técnica, chama-se Dinâmica Vocal, que  é uma técnica onde o cantor aprende a controlar o volume de sua voz em qualquer nota  que ele produza, seja no grave ou no agudo. Quando o cantor não possui uma boa técnica ou desconhece, ele geralmente usa da soprosidade vocal para produzir sons suaves, haja vista, que o excesso de ar produz uma diminuição do volume vocal. O perigo de usar a soprosidade é o excesso, pois, quando se deixa passar muito ar pelas cordas vocais no momento da produção do som, isso pode acarretar calos, cansaço e/ou frouxidão das cordais vocais.

         Uma outra coisa que se percebe nessa performance de Di Ferrero, é que ele emposta sua voz em algumas notas de forma exagerada na laringe para conseguir um efeito que o Rogério Flausino popularizou entre os cantores, principalmente de Pop Rock, produzindo assim, um som bem laríngeo, como se fosse robotizado. Vendo o Rogério Flausino fazer esse tipo de empostação sonora, é até interessante, mas no caso do Di Ferrero, fica muito estranho, e sempre remete o ouvinte para outro cantor e não para ele.

          Há também em sua performance, uma nasalização, principalmente nas vogais abertas como A e E, isso geralmente acontece por se empostar o som de forma exagerada nos seios nasais. Não que estes não possam ser usados como região de ressonância para amplificação do som, mas tudo no canto o cantor deve saber produzir e não produzir, o que passar disso é disfonia.

          Os agudos de Di ferrero, também saíram prejudicados, e percebe-se claramente que o motivo da perda de beleza sonora da voz dele na região aguda, é por que ele produz seu som com força, e a força produz contração na musculatura do pescoço, vulgo platisma. O drive que ele também tenta produzir nas notas agudas, é o segundo inimigo que o prejudica na hora de produzir as notas da melodia nas palavras "Vamos seguir".

          Outro erro técnico e perigoso, e que demonstra já, um problema sério em sua voz, é que ele produz todas as palavras, principalmente, as do final das frases, com um R. O que deixa claro que ele não tem controle na glote da saída do ar, ou seja, da quantidade de ar que ele utiliza para produzir som. Tudo isso pode ser trabalhado e completamente eliminado da voz de um cantor.

          Di Ferrero devido a todos esses problemas que foram detectados demonstra uma limitação em sua extensão vocal, talvez, por suas cordas vocais já estarem cansadas e sentindo o efeito de todos esses problemas que possui. Seu timbre vocal é muito bonito, possui características interessante como um drive que aparece em alguns momentos, e que é extramente natural de sua voz, e se desenvolvido, não agrediria sua cordais vocais,  e sua extensão vocal não é tão limitada quanto parece.

          Seria necessário: trabalhar sua empostação; melhorar bem mais sua entonação buscando linhas melódicas que explorassem mais a sua extensão vocal; eliminar o excesso de ar nos sons e nos finais das palavras, propiciando assim, um maior tempo de duração de sua integridade vocal; retirar os vícios que foram adquiridos através de outras vozes; e um trabalho sensorial para que ele percebesse sua identidade e pudesse explorar toda a sua capacidade de produção sonora que seu corpo possui.

         Quero agradecer ao Michael pela indicação da música para este post!



3 comentários:

Quem sou eu

Minha foto

Nasci em Parintins no Amazonas. Vivi no meio da mata onde enfrentei todos os perigos que pessoas  da cidade nem imaginam que existe. Aprendi tarrafiar. Pescar piranha preta e vermelha. Vi meu cachorro ser despedaçado em três pedaços por um tamanduá bandeira de três metros de altura. Cacei veado vermelho e roxo. Tirei jacaré açú da malhadeira. Arranquei tatu do buraco. Arranquei mandioca grande da terra sem quebrar. Cacei cutia. Paca. Comi macaco prego. Onça. Quati. Porco espinho. Fiquei encurralada por um bando de queixada. Comi papagaio em tempo de fome. Peguei juruti na arapuca feita de pau. Tomei água de cipó d'água. Apanhei com pedaço de lenha do fogão de barro. Roubei ovo de inambú açú. Peguei mauari na malhadeira de mica. Mergulhão. Garça branca e morena. Andei sobre o matupá. Vi anhingal andar no rio. Fugi de caba tatu. Levei ferrada de caba de igreja. Fui mordida por piranha vermelha que levou um pedaço do meu dedo. Consegui fugir e me tornar uma das melhores professoras de canto do país. E outras coisas que só caboclo sabe...

Follow by Email