quarta-feira, 30 de abril de 2014

O DESABAFO DA VOZ

Geralmente as pessoas que querem cantar e sentem alguma dificuldade na hora de produzir som, colocam a culpa na pobre coitada da Voz: Minha voz não alcança tal nota; Minha voz é muito baixa pra cantar essa música; Acho minha voz muito esganiçada; A minha já é muito estridente; Minha voz fica rouca rapidinho. E muitas outras afirmações sobre a tão mal falada Voz. Na verdade, estou aqui para defendê-la, ela chegou até mim ontem, e disse-me que já não aguentava mais tanto falatório com seu nome, que estava cansada de ouvir todo mundo falando dela, disse que já estava quase muda, e mesmo assim as pessoas ainda ficam colocando palavras em sua boca, como se fosse ela que as produzisse. Fiquei chocada com esse desabafo da Voz, e me propus a entrar nessa batalha para defendê-la dessas pessoas linguarudas que ficam usando o nome da pobre Voz para justificarem seus limites. Quero afirmar, que a Voz não é culpada de nada, se vocês não conseguem produzir um som bonito, a culpa é de vocês mesmo, por não conhecerem o corpo de vocês, e nem saberem como utiliza-lo para ajudar a sofredora da Voz a emitir um som de qualidade. Na verdade, nem mesmo o corpo de vocês é culpado nessa história, a culpa é somente de vocês. Quem mandou vocês confundirem "Quem canta com Cantor"! Quem canta, é qualquer um que emite ruido de dentro de seu corpo, e ainda tem gente que quer me convencer de que fulano que nunca fez aula de canto, canta muito bem, eu tenho vontade matar um quando falam isso comigo! Claro, tem gente que já nasce com um timbre bonito, ou às vezes, com uma certa musicalidade aguçada. Mas nunca pode se comparar Quem Canta com um Cantor, este é um termo aplicado para quem é especialista na técnica de canto. Não há limite para a voz, como também não há limite para o corpo, os limitados são vocês, por não assumirem que são os verdadeiros culpados desse falso Testemunho, dessa calúnia absurda que vocês inventaram para se livrarem da culpa.

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Nasci em Parintins no Amazonas. Vivi no meio da mata onde enfrentei todos os perigos que pessoas  da cidade nem imaginam que existe. Aprendi tarrafiar. Pescar piranha preta e vermelha. Vi meu cachorro ser despedaçado em três pedaços por um tamanduá bandeira de três metros de altura. Cacei veado vermelho e roxo. Tirei jacaré açú da malhadeira. Arranquei tatu do buraco. Arranquei mandioca grande da terra sem quebrar. Cacei cutia. Paca. Comi macaco prego. Onça. Quati. Porco espinho. Fiquei encurralada por um bando de queixada. Comi papagaio em tempo de fome. Peguei juruti na arapuca feita de pau. Tomei água de cipó d'água. Apanhei com pedaço de lenha do fogão de barro. Roubei ovo de inambú açú. Peguei mauari na malhadeira de mica. Mergulhão. Garça branca e morena. Andei sobre o matupá. Vi anhingal andar no rio. Fugi de caba tatu. Levei ferrada de caba de igreja. Fui mordida por piranha vermelha que levou um pedaço do meu dedo. Consegui fugir e me tornar uma das melhores professoras de canto do país. E outras coisas que só caboclo sabe...

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